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Crônicas

Como eu conheci Pedro Azevedo

Ao anoitecer de uma sexta-feira, dia 14 de Julho de 2017, menos de dois meses atrás, foi quando o conheci. O conheci numa topique que faz o percurso Quixadá-Quixeramobim. Nossa conversa durou cerca de uma hora, que é o tempo necessário para viajar de uma cidade para a outra. Conversamos a viagem inteira.

Estou escrevendo agora ao som de “Toque-me” na voz de Denise Assunção, uma cantora que ele me indicou e eu escrevi no bloco de notas do celular para não esquecer, mas acabei esquecendo e só vim ouvir hoje quando lembrei dele e fui procurar no bloco de notas. A nota do celular data 14/07//2017 às 18:07. A música que estou ouvindo me diz: “toque tudo sempre assim, só não toque nesse assunto e nunca toque no fim” e me parece ser um recado dele.

Não tocarei no fim, Pedro.

Não lembro bem como se deu o início da conversa, mas logo encontramos amigos em comum, gostos musicais em comum, pensamentos em comum, e muita conversa rolou.

Ele me falou de algumas experiências como professor em comunidades rurais. Eu o contei uma teoria que eu tinha acabado de criar sobre crianças e jovens de comunidades rurais. Ele concordou.

Ele me falou de uma banda que ele tinha com uns amigos, do estúdio que ele estava improvisando na casa dele e me mostrou algumas canções autorais que ele tinha gravado recentemente nesse estúdio improvisado. Eu perguntei se ele tinha influência do Tom Zé, e ele disse que sim. Me pergunto se alguém tem essas gravações dele guardadas. Eu gostei tanto.

Eu mostrei um poema que eu tinha feito naquela semana, contei a história do poema e ele falou que eu tinha um bom gosto e que eu podia escrever sobre qualquer coisa. Não imaginava que iria escrever sobre ele.

Depois a gente falou de política. Falamos da crise da Esquerda brasileira, ele falou que estava meio desacreditado, mas que continuava caminhando segundo o que ele acreditava. Apontou alguns caminhos que segundo ele eram a solução.

Falamos ainda da morte do Belchior, ele me falou das influências musicais dele, eu falei das cantoras que eu estava ouvindo no momento, ele me contou de uma vez que visitou Banabuiú (que a cidade onde moro), falou do curso de Física da UECE, eu falei do curso que faço.

Não sei como coube tanta coisa dentro de uma hora. Mas coube.

Quando chegamos ao destino eu perguntei o nome dele.

“Pedro” – ele respondeu sorrindo.

Foi um prazer, Pedro!

 

Por Aline Nobre