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Opinião

OPINIÃO – O que realmente devíamos ler?

Esta semana fui convidado para uma reunião na Faculdade Cisne. Uma das poucas empresas que apostou logo de cara na revista do Projeto Monox, que ainda segue na “saga em busca de apoios para vir a ter vida”, ou seja, ser impressa. O encontro, exclusivo a imprensa local, foi marcada por uma incrível apresentação institucional. Onde o diretor, José Nilson, pôde demonstrar o contrário que algumas pessoas comentavam na cidade; A Cisne anda muito bem, obrigado. E tem conseguido, em meio a crise, respirar, avaliar sua atuação, planejar e focar em voos mais altos. E ao que parece, como o próprio pássaro o qual leva o nome, alçará de forma elegante. Resistindo não somente as dificuldades locais, mas como a própria crise que atinge todo o país.

José Nilson, um dos diretores da Faculdade Cisne, apresentando dados atuais e planos de expansão do Campus.

Mas um dos pontos os quais me levaram a refletir não diz respeito a crise, nem tampouco a Faculdade Cisne e sua resistência. Me questionei e desde a reunião, que ocorreu na última sexta-feira, 1º de Setembro, penso sobre isso: Até que ponto o papel da imprensa local favorece o que (ainda) há de bom na cidade? Até que ponto as discussões partidárias elevam o nome da querida e bela Quixadá? Onde entra, em meio a todo este caos político e com a, sempre em evidência, violência?

Dom Adélio Tomasin, chanceler da Faculdade Cisne, discursa para a imprensa.

Isto foi questionado por muitos ali presentes. Principalmente a um homem fundamental para termos o Quixadá universitário que temos hoje; Dom Adélio Tomasin. O mesmo chegou a “pedir desculpas por nunca, nestes 2 anos de existência da Cisne, ter convidado a imprensa para um encontro”. E ponderou a importância da classe, mas questionou, como todos – talvez inclusive a própria imprensa – sobre o papel que há quando deixamos de falar sobre cultura, turismo, saúde. E escolhemos “criar indiretas” pró-política, por exemplo. Mas dentre tantos, uma ou duas pessoas da imprensa ainda chegaram a defender os noticiários criminais. Claro, rendem muito mais likes do que uma matéria com um artista local, ou talvez sobre determinada área que um curso de uma destas instituições aqui instaladas lida. Mas o questionamento apenas se enriqueceu a cada indagação, causando em todos uma grande reflexão sobre o que se é de fato necessário ser noticiado.

E ao final sai de mansinho pensando o quão grandioso pode ser o Projeto Monox. Não no teor financeiro, algo que chega a ser impossível dado o modo em que os empresários da cidade (boa parte dos que são afetados pela violência, diga-se de passagem) nos atenderam, mas pela sua importância em querer dar visibilidade a coisas relevantes e benéficas dentro do cotidiano da nossa cidade. Penso que a cultura, educação, esporte, turismo e saúde, talvez sejam temas que, por não significarem muitos likes ou visibilidade para estes empresários ou blogueiros, acabam sendo tratados como “meros conteúdos”. Quando na verdade deveriam ser vistos como grandes possibilidades numa reeducação social. Deveriam ser ferramentas para educar e instigar o bem no nosso caótico cotidiano. Afinal, vivemos em uma época onde primeiro batemos para só então perguntar. Sendo, sem sombra de dúvidas, a educação um dos principais – se não a principal – meios de moldar uma sociedade cada vez mais igual.

Por Cleyton de Paula